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sábado, 26 de novembro de 2011

Fóssil de dinossauro...

Fóssil de dinossauro gaúcho com 228 milhões de anos é encontrado

Corredor, bípede, carnívoro e extremamente antigo. Palavras possíveis para explicar o animal que virou um fóssil descoberto pelo pesquisador brasileiro Sergio Furtado Cabreira, em 2004. Descrito recentemente em uma revista científica alemã, o bicho só não deixa dúvidas quanto a sua “nacionalidade”: ele era gaúcho, já que perambulava pela região onde atualmente fica a cidade de Agudo, no centro do Rio Grande do Sul, há longínquos 228 milhões de anos.
Expostos publicamente pela primeira vez em 2006, os restos do dinossauro foram tombados pelo Museu de Ciências Naturais da universidade gaúcha. Agora, o registro científico e a descrição do animal estão disponíveis em um estudo divulgado em 15 de novembro na revista especializada alemã “Naturwissenchaften” (ciências naturais, em alemão).
O nome do dinossauro dá pistas sobre o local onde habitava: Pampadromaeus barberenai. A primeira parte significa “corredor dos pampas”. A segunda é uma homenagem ao paleontólogo Mário Costa Barberena.
Em entrevista ao G1, o descobridor conta que o fóssil corresponde a ossos de apenas um único indivíduo. “Parece um dinossauro que morreu há apenas meses”, vibra Cabreira. “Nós temos praticamente todo o crânio, vértebras, ossos dos membros.”
Os restos mortais do P. barberenai podem ser um dos mais conservados do mundo. “Os ossos não sofreram alterações de volume, comuns durante fossilizações”, diz o paleontólogo da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, no Rio Grande do Sul.
Ora carne, ora vegetal – Com apenas 50 centímetros de altura e 1,2 m de comprimento, o dinossauro pesaria cerca de 15 quilos, segundo os especialistas. Ao ser descrito na publicação científica europeia, P. barberenai foi classificado como um parente próximo de um grupo de animais herbívoros e muito mais altos conhecidos como saurópodes. Já extintos, esse grupo de animais era abundante há cerca de 150 milhões de anos.
Mas a análise cuidadosa dos dentes desse animal revelaram que ele possivelmente comia pequenos animais, insetos e, ocasionalmente, algum tipo de planta. Por esse tipo de alimentação, o P. barberenai é considerado um onívoro – aquele que se alimenta tanto de animais como de vegetais.
Para conhecer a idade do fóssil, o pesquisador se baseou em outros fósseis encontrados no mesmo solo e que são usados como guias. As datações “absolutas” desses fósseis guias foram feitas na Argentina, com exames que utilizam radiosótopos e apresentam margem de erro de apenas 3%.
Os estudos também permitem dizer que o P. barberenai se erguia em duas pernas e corria bastante, assim como o seu nome indica.
Ancestral – Com muita cautela, o paleontólogo sugere que a importância da descoberta. “Esse fóssil apresenta muitos sinais que poderiam indicar um hipotético ancestral comum de todos os dinossauros”, diz.
Apesar das reservas, a aposta de Carneiro tem uma explicação: algumas das características do P. barberenaisão típicas de um grupo de animais que também corriam em duas pernas e eram carnívoros: os terópodos, que tem como mais famoso deles o Tyrannosaurus rex.
Como esses predadores viveram há “apenas” 75 milhões de anos, o dinossauro dos “pampas” poderia ser um ancestral em comum entre terópodos e saurópodes.
Penas ou escamas? – As características do pequeno dinossauro gaúcho levou os cientistas a crer que o animal possuía a pele coberta por penas. “Um animal com pouca massa, pequeno e ativo como esse tende a perder muito calor. Seria impossível ele sobreviver neste clima sem ter uma cobertura para isolá-lo”, explica o paleontólogo.
Cabreira ainda explica como aves e dinossauros são parentes próximos na natureza. “Penas não passam de escamas modificadas”, afirma Cabreira, lembrando também da força nos músculos e na eficiência metabólica que os pássaros possuem para poder voar por vários quilômetros. “Esse padrão pode estar muito próximo daquele que existiria em dinossauros.”
Ainda que as afirmações sobre os hábitos do animal possam ser contestadas, Cabreira estimula a discussão. “Até o Instituto Smithsmonian já fez uma resenha sobre o trabalho”, diz. “O mais interessante talvez nem seja a descoberta, mas as perguntas que ele levanta sobre a vida de fósseis descobertos antes.”
Para o pesquisador, caso o P. barberenai seja reconhecido como um verdadeiro elo entre terópodos e saurópodes, será interessante descobrir como esses dois grupos se desenvolveram de forma tão distinta. “Seria preciso pesquisar como esses caracteres ligados a movimentação e alimentação foram evoluindo nestas famílias”, diz Cabreira. (Fonte: Mário Barra/ G1)