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segunda-feira, 9 de maio de 2011

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Chimpanzés falam?!

Chimpanzés falam, mentem e recitam poesia usando sinais

09/05/11
O casal formado pelos pesquisadores Deborah e Roger S. Fouts dedicou toda sua vida a combater a ideia de que a linguagem é o “último reduto” da singularidade humana, com o resultado de mais de 40 anos de trabalho com chimpanzés que não só aprenderam a se comunicar por sinais, mas a mentir e recitar poesia.
Este casal de psicólogos do Instituto de Comunicação entre Humanos e Chimpanzés da Washington University, se aposentará dentro de poucos meses sabendo que cumpriram sua missão e que puderam desmentir muitos cientistas – entre eles o linguista Noam Chomsky -, que durante décadas negavam esta possibilidade comunicativa, explicam em entrevista à Agência Efe.
Os Fouts deram sequência aos trabalhos iniciados nos anos 60 por outra parceria – os também psicólogos Allen e Beatrice Gardner – que a Nasa cedeu a chimpanzé Washoe depois que a agência espacial abandonasse sua pesquisa com “chimponautas”.
Washoe foi introduzida em um ambiente humano onde só se falava a linguagem dos surdos-mudos, um cenário muito diferente comparado com os das equipes que, décadas antes, tentaram ensinar linguagem oral a uma chimpanzé que em seis anos só pôde pronunciar, e não claramente, quatro palavras: “mamãe”, “papai”, “xícara” e “em cima”, explica Roger simulando os sons que saíram da boca da primata.
Os Gardner e sua equipe, no qual Roger era estagiário, acreditavam que a vocalização dos chimpanzés era involuntária, como o som que um humano faz ao bater o dedo com um martelo.
Então apostaram no movimento natural de suas mãos (como utilizam os exemplares selvagens, com dialetos próprios) e decidiram criar Washoe como uma menina surda, com a linguagem de sinais dos Estados Unidos.
A primata aprendeu mais de uma centena de sinais vendo como a equipe se comunicava e assim podia pedir comida ou que lhe coçassem, ou expressar conceitos complicados como “estou triste” ou pedir perdão.
Mas a vida com Washoe se tornou complicada. E logo quando os Gardner decidiram cedê-la a um centro de Oklahoma, Roger não quis deixá-la sozinha naquele laboratório – onde provavelmente passaria mal entre as jaulas junto a outros animais – e conseguiu convencer o casal para que a transferissem com ele a Washington para continuar com a pesquisa, até a morte da chimpanzé em 2007.
Em todos estes anos, o casal de pesquisadores pôde ver como Washoe ensinou a linguagem a sua “família”, Tatu, Dar e Loulis – uma criação adotada que aprendeu os sinais sem intervenção humana – até níveis surpreendentes: os chimpanzés chegavam a falar sozinhos enquanto “liam” uma revista, pois são capazes a nomear o que veem nas fotografias (bebida, comida, sorvete, sapatos…).
“Falam como uma família; se uns discutiam, tentava apaziguar; quando Loulis tirava uma revista de Washoe, ela chamava a atenção dele e lhe dizia ’sujo’”, explica Deborah, que indica que os primatas também sabem utilizar os sinais para mentir.
Assim é possível identificar em uma gravação na qual Dar convenceu Washoe que Loulis tinha o agredido e se atirou no chão encenando e pedindo com sinais a sua mãe um “abraço”.
Por sua vez, a mãe repreendeu o suposto agressor, uma infantil malícia típica de Bart Simpson ou de um atacante de futebol para provocar um pênalti.
Mais surpreendente foi registrado em outra gravação na qual um dos chimpanzés repetia “chorar, chorar; vermelho, vermelho; silêncio, silêncio; divertido, divertido”, um enigma para a equipe até que um amigo poeta do casal apontou que os sinais destas palavras eram similares e que se tratava de uma aliteração da língua de sinais, ou seja, uma composição poética.
“Há evidências que os chimpanzés são capazes de aprender os signos, de ordená-los e conversar, com sintaxes, inclusive são capazes de inventar e ensinar”, explica Roger Fouts.
Apesar de anunciarem que vão se aposentar da universidade para se dedicar a seus cinco netos que veem pouco, os pesquisadores reconhecem que seguirão visitando seus outros “netos” chimpanzés.
“Não podemos explicar que temos 68 anos e nos aposentamos, então vamos continuar visitando-os, mas não todos os dias”, antecipam.
O casal lamenta que a difusão de suas surpreendentes pesquisas não tenham servido para deter o maus-tratos a estes primatas, mas acreditam que estas cheguem às escolas e provoquem uma mudança de atitude nas novas gerações. (Fonte: Portal iG)