quinta-feira, 27 de outubro de 2011

APOSTILA DE PORTUGÊS

                      APOSTILA COMPLETA DE PORTUGUÊS PARA CONCURSO



ESTRUTURA SINTÁTICA



A ORAÇÃO


                   Todo enunciado que apresenta verbo é uma oração. Logo, o verbo é o núcleo de qualquer estrutura oracional. Por conseguinte, a análise sintática de uma oração exige que partamos do verbo.  Ora os verbos apresentam complementos verbais, ora não apresentam complementos verbais. São complementos verbais: objeto direto e objeto indireto. O estudo dos complementos verbais é chamado de predicação verbal.


Os auditores analisaram os balancetes.


                   O exemplo acima é uma oração, pois foi empregado o verbo analisar. É a expressão de uma ação. Está flexionado no pretérito perfeito simples do modo indicativo. Contextualiza-se, portanto, a prática de uma ação, o tempo em que essa ação ocorreu, o agente da ação e o referente passivo à ação executada pelo sujeito agente. 


O fiscal está apurando as denúncias.


                   Temos também uma oração.  Trata-se do verbo apurar  na forma composta. “está” é o seu auxiliar. E “apurando” é o verbo principal no gerúndio. Trata-se de uma locução verbal.


Os relatórios que foram analisados comprometem a candidatura de Luíza. 


                   Cada verbo é uma oração. Temos acima duas orações. Os termos grifados constituem a primeira oração, com um verbo na forma simples. O termo em negrito  constitui a segunda oração. Nesta, o verbo analisar está na forma composta, ou seja, verbo auxiliar + verbo principal no particípio. A oração em negrito  integra o sujeito do verbo “comprometem”.












A PREDICAÇÃO VERBAL

                   Há orações que apresentam complemento verbal (objeto direto e objeto indireto). Transitivos são os verbos que trazem complemento. A transitividade direta ocorre quando entre o verbo e seu complemento não houver preposição, embora haja casos de objeto direto preposicionado. Já a transitividade indireta se caracteriza pelo emprego de preposição entre o verbo e seu complemento. Havendo objeto direto e objeto indireto, temos a transitividade direta e indireta.
 
                   E os verbos intransitivos? Intransitivos são os que não trazem complementos verbais. CUIDADO: Existem verbos intransitivos que apresentam preposição, não para formar objeto indireto, mas para compor adjunto adverbial. Observem os exemplos que seguem:

a)     Os cientistas descobriram plausíveis soluções.
                    Sujeito               v.t.d.                   Objeto direto

               * Observe que o verbo em uso é transitivo, ou seja, apresenta complemento. Os cientistas descobriram algo. “plausíveis soluções” complementa o verbo DESCOBRIR. Como o complemento não apresenta preposição, a relação entre verbo e complemento se mostra direta. É bom ressaltar que o sujeito praticou a ação de descobrir e “plausíveis soluções” recebeu a ação. Todo complemento verbal direto, ou seja, todo objeto direto tem valor passivo.       



b)     Os cientistas necessitam de novos dados.
                    Sujeito              v.t.i.              objeto indireto

               *   Já nesse exemplo, o verbo vai buscar complemento com o apoio de uma preposição. A preposição “de”  caracteriza uma transitividade indireta. Quem necessita, necessita de algo. Justifica-se, assim, a transitividade indireta, pois entre o verbo e seu complemento existe conectivo prepositivo.

c)      As provas trouxeram  complexidades  aos candidatos
                Sujeito        v.t.d.i.                 obj. dir.                obj. indir.

             *  O que o contexto verbal nos revela? “As provas” trouxeram algo a alguém. Dois são os complementos verbais. Temos o objeto direto e o objeto indireto. O objeto direto é “complexidades” ; o objeto indireto é “aos candidatos”. Verifique, candidato(a), que o objeto indireto está constituído por três classes de palavras: preposição, artigo e substantivo. A preposição “a” e o artigo masculino/plural  “os”  se aglutinam. 

d)     Luciano viajou.
                             v.i.

                 *  A intransitividade se justifica pela ausência de complemento verbal. O prefixo “in”  comunica a não transitividade verbal, isto é, o verbo não vai buscar complemento verbal. Intransitivo, portanto, é o verbo que não apresenta complemento verbal ( objeto direto e/ou objeto indireto ).

e)     A polícia chegou ao morro.
                               v.i.      adjunto adverbial de lugar

                      
f)        Ela assiste em Olinda.
                          v.i.     adjunto adverbial de lugar

 *  Os dois exemplos acima demonstram que, às vezes, a palavra verbal traz preposição. Todavia, esse conectivo prepositivo não constitui complemento verbal. A preposição “a” do verbo CHEGAR e a preposição “em” do verbo ASSISTIR ( no sentido de morar, residir ) proporcionam a composição de adjuntos adverbiais de lugar. É mister esclarecer que também é comum um verbo apresentar preposição para constituir adjuntos adverbiais. Com isso, podemos concluir que nem sempre a preposição vinda do verbo gera complemento verbal indireto. É como se o verbo chegasse à sua estabilidade com o apoio do adjunto adverbial.






A TRANSITIVIDADE VERBAL E A INTRANSITIVIDADE VERBAL EM ORAÇÕES RELATIVAS

              Após a visão básica de transitividade e intransitividade verbal, como aproveitar essa revisão de predicação verbal para aplicá-la em provas públicas?  É comum solicitarem transitividade e intransitividade verbal em períodos compostos que tragam pronomes relativos.
               Toda oração que apresentar pronome relativo é subordinada adjetiva. Por conseguinte, essas orações também são chamadas de orações relativas. E, ao se usar uma oração relativa, é necessário observar se antes do pronome relativo o emprego de preposições é oportuno ou não à norma culta do idioma.  Para tanto, basta estar atento na predicação do verbo que estiver integrando a oração subordinada adjetiva. Temos como pronomes relativos: QUE/ QUEM/ QUAL/ ONDE/ CUJO. Confira:            
   
g)     O livro de que necessito proporciona novos conhecimentos.
                         que

            * O correto é “... de que necessito...” , pois quem necessita, necessita de algo. Como o verbo necessitar pede a preposição “de”,  devemos deslocá-la para antes do pronome relativo “que”.  Trata-se de pronome relativo, visto que esse conectivo está sendo usado, de fato, para substituir o substantivo empregado anteriormente. A função do pronome relativo é justamente substituir um termo empregado anteriormente ( geralmente um substantivo ou um  outro pronome ). Sua função, portanto, é um recurso gramatical que evita a pobreza de vocabulário, ou seja, impede a repetição literal do termo utilizado anteriormente.  No exemplo acima, se o concurso público exigir a função sintática do pronome relativo “que”, devemos afirmar ser objeto indireto, pois a preposição exigida pelo verbo NECESSITAR se desloca para sinalizar seu objeto indireto.         




h)      O cargo o qual   me referi traz conforto.
                         ao qual

             *  “O cargo ao qual me referi traz conforto” é a estrutura que atenda à norma culta da Língua. Assim, o pronome relativo “qual” exerce a função de objeto indireto, tendo a preposição “a” a função de materializar a transitividade indireta exigida pelo verbo pronominal REFERIR-SE.. Esse pronome “se” deve ser lido como pronome integrante ao verbo.    

i)        Os diretores a quem aludiram são corruptos.     { correta a regência da oração relativa }
                                   Objeto indireto



PARTICULARIDADE DO PRONOME RELATIVO “ONDE”

                É comum afirmarem que a diferença entre “onde” e “aonde”  é que “onde” não indica movimento, e “aonde” indica movimento. Não é bem assim que devemos ler!  O “a” aglutinado à forma “onde” é justamente a preposição. Então, se houver necessidade do emprego da preposição “a”  na oração subordinada adjetiva, vinda da predicação verbal, que se desloque esse conectivo prepositivo para antes do pronome relativo “onde”.  Em  “onde”, “aonde”, “donde” e “por onde” não há diferença.  Nas quatro exposições temos o único emprego da forma ONDE: só que nas três últimas exposições existem preposições em uso explícito.  Acompanhe os exemplos que seguem:    

j)        A casa onde irei é tranqüila.   
                  aonde

 *  “... aonde irei...”  é a forma correta, pois o verbo IR pede a preposição “a”, para constituir seu adjunto adverbial de lugar.
                      

k)      A casa aonde moro é tranqüila
                        onde
      
       *   Morar  não pede a preposição “a” .  Assim, como poderia usar “aonde” no exemplo acima? A forma correta é “... onde moro...”   Ressaltemos, inclusive, que podemos substituir “onde” por “em que” .  Morar solicita a preposição “em”. Como a preposição “em” está inclusa no pronome relativo “onde”,  reafirmamos que a substituição de “onde” por “em que” tem procedência.


      l)    A casa donde vim é tranqüila 
                         onde


             *  Quem  vem,  vem de  algum lugar. Então, “... donde  vim...”     é a forma correta.  Poderíamos  empregar “... por onde vim...” , pois quem vem, vem por algum lugar, também.




APLICAÇÃO

Proposição única: Julgue as estruturas que seguem, empregando V ou F.

a)     Os relatórios  a que aspiro desapareceram da pasta.   [ V – F ]

      b)   As fichas as quais  aludiram  provam que Murilo é incapaz.  [ V – F ]
                      
c)      Renato encontrou as irmãs em quem confiamos [ V – F ]

d)     Há drogas aonde ele se hospedou.  [ V – F ]

e)     O apartamento no qual chegamos há pinturas raras.   [ V – F ]

f)        Os livros a cujas páginas me referi esclarecem complexos tópicos.  [ V – F ]

g)     O bairro por onde caminhei não proporciona segurança.  [ V – F ]

h)      O  bairro de onde vim não proporciona segurança. [ V – F ]

i)        O bairro onde moro não proporciona segurança. [ V – F ]

j)        O bairro aonde andei não proporciona segurança. [ V – F ]


 


 RESPOSTA:

a)      V
b)      F   ( “...às quais...” )
c)      V
d)      F  (  “...onde ele...)
e)      F  (  “ No apartamento ao qual chegamos há pinturas raras” )    *  O verbo CHEGAR pede a preposição “a”  para constituir seu adjunto adverbial de lugar “aonde” . Outrossim, também se deve verificar a composição da oração principal, ou seja, a oração que não apresenta pronome relativo, pois a irregularidade gramatical pode estar presente. Verifica-se erro ao não se empregar a preposição “em”  fundida com o artigo masculino/singular que antecede o substantivo “apartamento”.
f)        V
g)      V
h)      V
i)        V
j)         F   (  “ ... onde andei...) /  ( “... por onde andei...”)   * Ambas corretas ao lado. 
                                                                                                                    
 
VERBO DE LIGAÇÃO

                   Sua função é ligar o sujeito ao predicativo do sujeito, sem expressar ação. Geralmente o predicativo comunica uma “qualidade” ou um “estado” do sujeito. Os principais verbos de ligação são: SER / ESTAR / FICAR / PERMANECER / CONTINUAR / PARECER ...  Todavia, é bom ressaltar que verbo de ligação exige o emprego do sujeito e do predicativo do sujeito, sem expressar ação verbal. Se não houver  sujeito ou predicativo do sujeito, o verbo passa a ser intransitivo.  CUIDADO:  Não é o verbo de ligação que expressa “estado”ou “qualidade”. Tais idéias surgem do predicativo.

a) Sílvia está animada.                              b)  Gustavo está animado

c) Tânia continua ansiosa.                        d)   Lula está apreensivo.

e)  Marieta ficou doente.                          f) As crianças ficaram doentes.     

     * Os verbos destacados acima são de ligação. Há sujeito e predicativo empregados nas estruturas frasais. Os predicativos são os núcleos de cada predicado, caracterizando o predicado nominal. Portanto, quem configura o predicado nominal é o predicativo. Cabe apenas aos verbos em uso a função de ligar o sujeito ao estado ou à qualidade atribuídos. Todavia, existem predicativos que não expressam qualidade ou estado.    


g)  As crianças ficaram  na sala.              h) Mônica trabalhou preocupada.

i)   Paulo está no quarto.                          j)  São seis horas.

l)  É noite.                                                m) Hoje é 25 de junho de 2002.

·        Em “As crianças ficaram na sala”, o verbo não é de ligação. Não existe predicativo, embora haja sujeito. Assim, o verbo FICAR passa a ser intransitivo.
·        Em “Mônica trabalhou preocupada”, embora haja predicativo e sujeito,  o verbo TRABALHAR não é de ligação, pois expressa ação. E o verbo de ligação não pode expressar ação. O predicativo do sujeito pode ser empregado com verbos intransitivos e transitivos. Só não haverá predicativo do sujeito se o  verbo na frase for impessoal, ou seja,  se a oração apresentar sujeito inexistente. Temos, portanto, “Mônica” sendo sujeito; “trabalhou” como verbo intransitivo e “preocupada” sendo predicativo do sujeito. 
·        Em “ Paulo está no quarto”, o verbo é intransitivo. O adjunto adverbial “no quarto” auxilia a intransitividade verbal. Como poderia ser de ligação o verbo da oração, se não existe predicativo? Assim como o verbo ASSISTIR ( no sentido de morar, residir ) pede a preposição “em” para constituir seu adjunto adverbial, o verbo ESTAR  alcança sua intransitividade.
DICA:  Os comuns verbos de ligação, quando perdem essa propriedade natural, passam a ser intransitivos. 

·        O verbo SER ao indicar tempo/hora é impessoal. Sendo impessoal, perdem a identidade de verbo de ligação. Adquirem a intransitividade verbal, mantendo relação com seu adjunto adverbial de tempo. “Seis horas”,  “noite” e “hoje” /  “25 de junho de 2002  são adjuntos adverbiais de tempo.  



EXERC ÍCIO DIDÁTICO

01. Classifique, quanto à predicação, os verbos das orações de 1 a 12:

01. “A dissonância será bela.

02. “ Eu vejo um novo começo de era.”

03. “Hoje o tempo voa, amor.”

04. A noite oferece todos os sonhos aos jovens.

05. A natureza estava tão triste.

06. “ O bicho estava perto.” 

07. “O tempo trouxe a sua ação benéfica ao meu coração.”

08. “... pensei no seminário...”

09. “Ouvimos passos no corredor...”

10. Todos viviam muito cansados naquela época.

11. “Vivo à margem da vida.”

12. Mandei recado a sua mãe agora mesmo.



   Gabarito:  01. VL / 02. VTD / 03. VI / 04. VTDI / 05. VL / 06. VI / 07. VTDI / 08. VTI /   09. VTD / 10. VL 11. VI / 12. VTDI







TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO

                   São os termos que acompanham determinadas estruturas para torná-las completas. Ei-los: Objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e agente da passiva.


OBJETO DIRETO E OBJETO INDIRETO

a)     Examinei o relógio de parede.
                                    objeto direto
b)     Distribuí alegria a todos os convidados.
                           obj. dir.     objeto indireto  
 
c)      Desejo que ela seja feliz.
                       objeto direto oracional   

              *  O complemento verbal será oracional, quando apresentar estrutura verbal em sua composição.  Temos uma oração subordinada substantiva objetiva direta, sendo “que” a conjunção subordinada integrante.  Em período, iremos esclarecer essa classificação da oração no exemplo acima.

d)     Vi as crianças que estavam brincando no quintal.

*  Lembra da oração com pronome relativo? Observe que a oração em negrito acima traz o pronome relativo “que” ( conectivo usado para substituir o termo “as crianças” ). Como se classifica essa oração? Oração subordinada adjetiva é sua classificação. Há dois tipos de orações adjetivas: restritiva ( não apresenta sinais de pontuação ) e explicativa ( apresenta sinais de pontuação: vírgula ou travessão ). Como não há pontuação antes do pronome relativo “que”, a oração em negrito acima é subordinada adjetiva restritiva. Se puséssemos uma vírgula ou um travessão antes do pronome relativo, ela passaria a ser explicativa.  É comum em provas públicas “eles” lançarem a hipótese do emprego ou não emprego da vírgula antes do pronome relativo, questionando o candidato se haveria ou não existiria mudança de sentido. Como a idéia ou sentido das adjetivas está enraizado em sua classificação, com vírgula sua idéia é explicar e, sem o sinal de pontuação, sua idéia ou carga semântica é restringir. Portanto, a alteração de sua pontuação acarretaria em mudança de sentido, não sendo optativa a vírgula, enfim.   




e)     Dependo de maiores informações.
                                   objeto indireto 
      
f)        Obedecemos aos antigos costumes.
                                               objeto indireto 

g)     Confiamos nos investigadores.
                                    objeto indireto

h)      Preciso de orientações que assegurem sólidos resultados.

Nota:  Toda oração que apresentar pronome relativo é subordinada adjetiva. Exerce a função de adjunto adnominal. Veremos que os adjuntos adnominais estão sempre contidos em um outro termo sintático.  Assim sendo,  a oração relativa em negrito acima é  adjunto adnominal oracional do núcleo do objeto indireto do verbo PRECISAR.  Todas as vezes que empregarem uma oração relativa, ela será subconjunto do termo sintático que apresenta o substantivo ou pronome absorvido pelo pronome relativo. Digamos que seja uma maneira regular de “elastecer” o termo sintático anteposto ao pronome relativo acima. Então, o objeto indireto do verbo PRECISAR é “ de orientações que assegurem sólidos resultados” , sendo “orientações”  o núcleo do objeto indireto,  e “que assegurem sólidos resultados” é o adjunto adnominal oracional do núcleo do objeto indireto.



i)        Os fiscais a quem confiaram as investigações solicitaram mais documentos.  

*  Todo o termo grifado é o sujeito do verbo SOLICITAR, sendo “fiscais” o núcleo do sujeito e, de fato, “os” e “a quem confiaram as investigações” adjuntos adnominais. Trata-se de um adjunto adnominal não oracional e um adjunto adnominal oracional, respectivamente. A oração relativa em negrito é restritiva, mas se fosse explicativa exigiria vírgulas ou travessões após “fiscais” e antes de “solicitaram”.  Essa pontuação à qual fazemos alusão hipoteticamente acarretaria em mudança de sentido e, por conseguinte, não deveria ser lida como pontuação facultativa. 

j)        Obedeço às normas que disciplinam o exercício dos bons costumes.

*  “...normas...”     =  núcleo do objeto indireto.
    “... que disciplinam o exercício dos bons costumes.”  =  oração subordinada adjetiva. Logo, adjunto adnominal do núcleo do objeto indireto.
    “... às normas que disciplinam o exercício dos bons costumes.”  é todo o objeto indireto do verbo OBEDECER.


k)      Nas repartições públicas onde Silveira e Antunes trabalham, de fato, há crimes.

* Sendo “Nas repartições públicas” um termo que indica lugar, temo-lo como adjunto adverbial de lugar. Porém, ao se perceber o emprego do pronome relativo “onde”, faz-se necessário estender a leitura do adjunto adverbial de lugar até a palavra “trabalham”, pois a oração subordinada adjetiva está contida no adjunto adverbial, uma vez que exerce a função de adjunto adnominal oracional. Como o adjunto adnominal sempre está integrado a um outro termo sintático, o adjunto adverbial é definitivamente “Nas repartições públicas onde Silveira e Antunes trabalham”.






OS PRONOMES PESSOAIS E A FUNÇÃO DE  OBJETO DIRETO E INDIRETO


                   Pronomes Pessoais são conectivos usados para substituírem substantivos. Em exames públicos é comum o emprego acentuado de pronomes em textos.
                   O uso de pronomes possibilita questões de semântica, de emprego e de colocação pronominal.  Vejamos:

Leia o texto que segue para responder às questões 01 e 02/

A rotina e a quimera

Sempre se falou mal de funcionários, inclusive dos que passam a hora do expediente escrevinhando literatura. Não sei se esse tipo de burocrata-escritor existe ainda. A racionalização do serviço público, ou o esforço por essa racionalização, trouxe modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições, e é de crer que as vocações literárias manifestadas à sombra de processos se hajam ressentido desses novos métodos de trabalho. Sem embargo, não se terão estiolado de todo, tão forte é, no escritor, a necessidade de exprimir-se, dentro da rotina que lhe é imposta. Se não escrever no espaço de tempo destinado à produção de ofícios, escreverá na hora do sono ou da comida, escreverá debaixo do chuveiro, na fila, ao sol, escreverá até sem papel – no interior do próprio cérebro, como os poetas prisioneiros da última guerra, que voltaram ao soneto como uma forma que por si mesma se grava na memória.
E por que se maldizia tanto o literato-funcionário? Porque desperdiçava os minutos do seu dia, reservado aos interesses da Nação, no trato de quimeras pessoais. A Nação pagava-lhe para estudar papéis obscuros e emaranhados, ordenar casos difíceis, promover medidas úteis, ouvir com benignidade as “partes”. Em vez disso, nosso poeta afinava a lira, nosso romancista convocava suas personagens, e toca a povoar o papel da repartição com palavras, figuras e abstrações que em nada adiantam à sorte do público.
É bem verdade que esse público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova do poeta ou no mundo imaginado pelo ficcionista. Mas, sem gratidão especial ao autor, ou talvez separando neste o artista do rond-de-cuir, para estimar o primeiro sem reabilitar o segundo.
O certo é que um e outro são inseparáveis, ou antes, este determina aquele. O emprego do Estado concede com que viver, de ordinário sem folga, e essa é condição ideal para bom número de espíritos: certa mediania que elimina os cuidados imediatos, porém não abre perspectiva de ócio absoluto. O indivíduo tem apenas a calma necessária para refletir na mediocridade de uma vida que não conhece a fome nem o fausto; sente o peso dos regulamentos, que lhe compete observar ou fazer observar; o papel barra-lhe a vista dos objetos naturais, como uma cortina parda. É então que intervém a imaginação criadora, para fazer desse papel precisamente o veículo de fuga, sorte de tapete mágico, em que o funcionário embarca, arrebatando consigo a doce ou amarga invenção, que irá maravilhar outros indivíduos, igualmente prisioneiros de outras rotinas, por este vasto mundo de obrigações não escolhidas. (...)

Carlos Drummond de Andrade. Passeios na ilha. In: Poesia completa e prosa Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 841.

Ambiente free

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Dicionário de português

Emissão de CO2


Caminhões de lixo são os que mais emitem dióxido de carbono
 
Estudo realizado com 15,7 mil veículos em todo o Brasil constatou que o transporte de lixo é o que mais emite dióxido de carbono por quilômetro rodado. De acordo com... CONTINUAR LENDO

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SECA PERENE

Seca perene


A ELEIÇÃO SE APROXIMA
RECURSOS HÃO DE SURGIR
E NA FONTE DE ÁGUA-SECA
MUITA SEDE HÃO DE SENTIR.

LICITAÇÕES LEGAIS
ILEGALMENTE DENTRO DA LEI
HÃO DE DAR MUITOS REAIS
PRÁ ONDE VAI, NÃO SEI.

ARRUMEM OUTRA MANEIRA
ORA, JÁ ESTOU ATÉ CARECA
É SECA A VIDA INTEIRA?!
E ESSE RIO NÃO SECA?!

PELO MENOS, MEUS FILHOS HÃO DE PARTIR,
POIS JÁ ENCOMENDEI SEUS LIVROS
DESTE RIO PERENE HÃO DE EMERGIR
SALTOS, PULOS E GRITOS!!!

Autor: Diego Camboim da Silva, 25/10/2011

(Proibida a alteração do texto, documento registrado.)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos...

BIOLOGIA: CONCEITOS DE ZOOLOGIA




1)      Peixes
a)      Características gerais
-          Apresenta tegumento espesso, revestido por escamas e rico em glândulas mucosas (epiderme estratificada).
-          São homodentes (dentes iguais) e polifiodentes (várias dentições)
-          Coração – apresenta duas cavidades: 1 átrio e 1 ventrículo. Só passa sangue venoso, não há mistura de sangues. A circulação é fechada e simples.
-          Respiração branquial na maioria. Obs.: Nos “peixes pulmonados” ou dipnóicos, quando no ambiente terrestre, a bexiga natatória transforma-se em pulmão rudimentar. Ex.: pirambóia.
-          Aparelho digestivo completo
-          A temperatura do corpo é variável, se adaptando ao do ambiente.
-          A nadadeira pélvica nos machos transforma-se em clásper (órgão cópula).
b)      Diferenças entre peixes cartilaginosos (condricties) e peixes ósseos (osteícties)

Características

Peixes Cartilaginosos
Peixes Ósseos
Esqueleto
Cartilaginoso
Ósseo
Pele
Com escamas placóides (origem dermo-epidérmicas)
Maioria com escamas ciclóides e ctenóides.
Boca
Ventral
Terminal (porção anterior da cabeça).
Bexiga Natatória
Ausente
Presente. Tem função hidrostática e respiratória.
Peixes finóstomos – há contato da bexiga natatória com o aparelho digestivo.
Peixes finócliatos – não há contato.
Ânus e cloaca
Com cloaca
Com ânus e orifício urogenital
Nadadeiras
Pares e ímpares. Heterocerca. Com clásper.
Pares e ímpares. Homocerca e dificerca. Sem clásper o forceps.
Fecundação
Ovovivíparos – fecundação e desenvolvimento interno, sem haver relação materno-fetal.
Ovulíparos – fecundação e desenvolvimento externos.
Exemplos
Tubarões, raias, quimera, peixe-serra, etc.
Pirambóia, lambari, robalo, carpa, salmão, rêmora, truta, linguado, etc.

2)      Anfíbios
a)      Característias gerais
-          Aparelho digestivo completo (boca e ânus)
-          O tegumento é desnudo, rico em glândulas que o mantém umedecido.
-          A língua está situada na região anterior e é protáctil.
-          Respiração: branquial (larvas e algumas salamandras), pulmonar, cutânea e buco-faringeana.
-          Possuem cloaca
-          Fecundação externa e desenvolvimento indireto. Ovulíparos. Formação do estágio larval.
-          Sofrem metamorfose
-          Coração com 2 átrios e 1 ventrículo. Mistura de sangue nos anfíbios. Circulação incompleta.
-          Vertebrados com fase larval no ambiente aquático, e fase adulta no ambiente terrestre.
b)      Órdens de Anfíbios
-          Anuros – Ex.: sapos, rãs, perecas.
-          Ápodes – Ex.: cobra-cega
-          Urodelos ou Caudados – Ex.: salamandras, tritões.
c)      Diferenças entre sapo e rã

Características
Sapo
Rã
Pele
Rugosa, com glândulas mucosas e de veneno.
Fina, úmida, rica em vasos sangüíneos e glândulas mucosas. Sem veneno.
Pernas posteriores
Mais curtas
Longas e bem desenvolvidas
Onde vivem
Preferem os lugares úmidos
Sempre próximas à água ou dentro dela.
Movimentos
Dão pulos desajeitados
Nadam, quando na água. Saltam quando em terra.
            * Cloaca à passagem comum dos aparelhos digestivo, excretor e reprodutor, localizada na porção terminal do tubo digestivo.

3)      Répteis
a)      Características gerais
-          São os que tem maiores adaptações ao meio terrestre.
-          Possuem corpo coberto com escamas, ou placas córneas.
-          Habitat: aquático ou terrestres.
-          Aparelho excreto com 2 rins.
-          São ovíparos, ovovivíparos ou vivíparos
-          Possuem cloaca
-          Coração: * Reptéis crocodilianos – 2 átrios e 2 ventrículos
         * Reptéis não crocodilianos – 2 átrios e 1 ventrículo parcialmente separado.
                        Circulação fechada, dupla e incompleta.
-          Possuem dois arcos aórticos: direito e esquerdo. Nos crocodilianos eles se comunicam pelo forâmem de Panizza.
-          Respiração pulmonar, na água é feita pela cloaca.
-          Aparelho digestivo completo (boca e ânus)

b)       Órdens de répteis
-          Quelônios – Ex.: tartarugas, jabutis, etc.
-          Crocodilianos – Ex.: jacarés, crocodilos, gavial, etc.
-          Escamados – divididos em:
·         Ofídios – Ex.: corais, jararacas, urutus, cascavéis, etc.
·         Sáurios ou Lacertílios – Ex.: lagartixas, camaleões, iguanas, cobra-de-vidro, lagartos, etc.




c)      Diferenças entre cobras peçonhentas (venenosas) e não peçonhentas (não venenosas)

Características
Cobras peçonhentas
Cobras não peçonhentas
Cabeça
Achatada e triangular
Estreita e alongada
Olhos
Pequenos e com pupila em forma de fenda vertical
Grandes, com pupilar circular.
Fosseta Loreal ou Lacrimal (orifício entre as narinas e os olhos)
Presente
Ausente
Escamas do corpo
Alongadas, pontuadas, imblicadas (aspereza da escamas)
Achatadas, lisas, não imblicadas
Cauda
Curta, afilando bruscamente
Longa, afilando gradualmente
Dentes
Presença de dentes inoculadores (presa)
Sem dentes inoculadores (presas)
Hábitos
Noturnos
Diurnos
Atitude
Quando perseguida toma atitude de ataque, enrodilhando-se (arma o bote)
Quando perseguida, foge, não enrodilha.
Sinal deixado pela cobra
Proteróglifa, solenóglifa, opistóglifa
Áglifa
Ovos
Ovovivíparas – fecundação e desenvolvimento interno, sem relação materno-fetal.
Ovíparos – fecundação interna e desenvolvimento externo.

d)      Quanto aos dentes as cobras podem ser classificadas em:
d.1) Proteróglifas – dentes inoculadores na parte anterior do maxilar. Dentes inoculadores são sulcados. Ex.: coral verdadeira, naja.
d.2) Opistóglifas – os dentes estão situados na parte posterior do maxilar (também são sulcados). Ex.: Muçurana.
d.3) Solenóglifas – O sulco se modifica em canal. Dentes inoculadores na parte anterior do maxilar, podendo estar ocultos por uma dobra da mucosa da boca. Ex.: cascavel, jararaca, surucucu.
d.4) Áglifas – não possuem dentes inoculadores. Ex.: caninana, cobra-cipó, jibóia, sucuri.
4)      Aves
a)      Características gerais
-          Corpo coberto de penas. Aumenta a superficie de atrito com o ar.
-          Aparelho digestivo completo. Formado pela boca com bico córneo, faringe, esôfago, que possui inferiormente o papo (com função de armazenar e amolecer aos alimentos). Proventrículo (produz suco gástrico e considerado estômago químico das aves). Moela (estômago mecânico ou triturador.
-          Circulação dupla, completa e fechada. Coração com 2 átrios e dois ventrículos. Não ocorre mistura de sangue. Hemácias ovais e nucleadas.
-          Respiração pulmonar. Apresentam sacos aéreos, que funcionam como uma reserva de oxigênio e ar quente, o que diminui a densidade do corpo das aves.
-          São homeotérmicos. Apresentam temperatura corpórea constante.
-          Músculo peitoral bastante desenvolvido, para que ocorra um ideal batimento de asas.
-          Osso esterno em forma de quilha, melhora a aerodinâmica das aves.
-          Ossos pneumáticos, diminui o peso do animal, pois na matriz óssea existem lacunas preenchidas por ar.
-          Coração hipertrofiado
-          Glândula uropigiana – impermeabilidade das penas.

5)      Mamíferos
a)      Características gerais
-          Vertebrados homeotérmos
-          Corpo coberto de pêlos; pele com glândulas (mamárias, sudoríparas, sebáceas) e com epiderme espessa e revestida por queratina.
-          Tegumento divide-se em três camadas: epiderme, derme e hipoderme. A hipoderme, formada por tecido adiposo ou gorduroso, é uma exclusividade dos mamíferos.
-          Aparelho digestivo completo (boca e ânus). Os dentes são importantes para a caracterização das espécies. São heterodontes e difiodontes.
-          Circulação dupla, fechada e completa. Coração com 2 átrios e 2 ventrículos. Hemácias em formas de discos e anucleadas. Presença de hemácias, plaquetas e dos glóbulos brancos.
-          Respiração pulmonar
-          Corpo dotado de quatro membros
-          Animais de sexos separados, de fecundação interna e vivíparos.
-          Encontrados em todos os meios


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